61-63

Ricardo G. Santos

sinopse

O soldado que chega a um lugar, sem saber ao que vai, para onde vai, vê-se confrontado com uma violência atroz, com a morte, com a escassez e solidão. Deixa para trás a sua família, amigos e uma vida que conhece, a única relação com o passado de cada um faz-se somente por meio de cartas, por vezes escassas, e fotografias.

nota do realizador

“61-63” é, posso dizer, um tributo ao meu pai e, talvez, uma necessidade de refletir, crítica e criativamente, sobre um assunto da nossa história recente, enquanto país colonizador, que na generalidade tende a ser esquecido, com narrativas que pouco coincidem com os factos reais. Este filme foi ganhando forma com a descoberta das várias fotografias e pequenas missivas escritas entre o meu pai e a minha mãe, que tenho como herança, e às quais ainda não tinha dado a devida atenção. Todo este material serviu para criar esta memória, esta carta que nunca foi escrita, mas que poderia ter sido. Esta ficção que criei poderia ter acontecido, mas, na verdade, o meu pai e a minha mãe só se conheceram dois anos após o final da comissão dele em Angola.Uma humilde e sincera homenagem a todas as vozes que não deixam cair no esquecimento este conflito e os seus danos colaterais, e sobretudo a quem se viu obrigado a combater numa luta, numa guerra, onde aqueles que não caíram em combate, caíram em esquecimento.